Se Marília tivesse um coração, ele bateria na Avenida Sampaio Vidal.
É ali que a cidade nasceu, cresceu e até hoje pulsa. Todo mariliense tem pelo menos uma memória naquela avenida:
o desfile cívico do aniversário da cidade, a compra na loja do centro, o café na padaria da esquina,
a caminhada no fim de tarde ou o bolo distribuído no 4 de abril.
Contar a história da Sampaio Vidal é contar a história da própria Marília.
dos cafezais e construções de madeira ao comércio, aos prédios públicos,
aos monumentos e aos grandes desfiles cívicos.
Um nome que veio de um poema de amor
A avenida leva o nome de Bento de Abreu Sampaio Vidal, personagem diretamente ligado à fundação de Marília.
Deputado estadual nascido em Campinas, Bento de Abreu comprou a Fazenda Cincinatina em 1926
e começou a planejar a chegada da ferrovia à região.
A Companhia Paulista de Estradas de Ferro batizava suas estações seguindo uma ordem alfabética a partir de Piratininga.
A próxima precisava receber um nome iniciado pela letra M.
Entre as sugestões apareceram nomes como Maratona, Mogúncio e Macau.
Nenhum deles agradou.
Durante uma viagem de navio à Europa, Bento de Abreu leu a obra
“Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga.
O nome acabou escolhido para a estação — e para a cidade que cresceria ao seu redor.
A avenida que mais tarde recebeu o nome de Bento de Abreu Sampaio Vidal se tornaria um dos principais eixos urbanos da cidade,
atravessando o centro e conectando locais que ajudariam a construir a história de Marília.
Os primeiros anos: madeira, barro e sonho
No final dos anos 1920, a paisagem da Sampaio Vidal era completamente diferente da atual.
Em vez de asfalto, calçadas movimentadas e prédios comerciais, havia
terra vermelha e construções predominantemente de madeira.
As primeiras casas de alvenaria começaram a surgir por volta de 1929,
utilizando tijolos produzidos pela Olaria dos Irmãos Bertonha.
Os irmãos também ficaram ligados à chegada do primeiro trator ao povoado.
Mesmo em meio à crise mundial de 1929, a avenida continuou ganhando forma.
Um dos prédios que marcaram aquela transformação foi o Hotel São Bento,
encomendado pelo próprio Bento de Abreu e construído por Benedicto Faria.
Durante décadas, o hotel foi uma referência de hospedagem em Marília, até ser demolido anos depois.
Na esquina com a Rua Ceará, o Banco São Paulo abriu suas portas tendo Agenor Gomes como primeiro gerente.
Na mesma esquina ficava a Villa Marinette, residência de Durval de Menezes,
primeiro prefeito de Marília.
Era naquele trecho que Marília começava a deixar para trás a paisagem dos cafezais
e assumia definitivamente a aparência de uma cidade.
O berço do Bradesco
Entre os acontecimentos mais surpreendentes associados à Avenida Sampaio Vidal está o nascimento de uma instituição
que décadas depois se tornaria conhecida em todo o país.
No quarteirão onde funcionava a antiga Caixa Econômica Estadual havia a
Sapataria de Joaquim Felizardo.
O prédio foi demolido e deu lugar à Casa Bancária Almeida,
uma pequena instituição financeira que enfrentava dificuldades.
Foi nesse contexto que um jovem funcionário chamado Amador Aguiar assumiu o controle do negócio.
o banco que ficaria conhecido nacionalmente como Bradesco.
Uma instituição que ganharia dimensão nacional teve, portanto, parte fundamental de sua origem
na Avenida Sampaio Vidal, em Marília.
Uma avenida de marcos e monumentos
Com o passar das décadas, a Sampaio Vidal deixou de ser apenas uma importante via comercial e administrativa.
Ela passou a reunir monumentos, prédios públicos e equipamentos culturais que transformaram seus quarteirões
em uma espécie de corredor da memória mariliense.
Paço Municipal
Um dos principais marcos é o Paço Municipal, sede da Prefeitura e da Câmara Municipal.
Projetado pelos engenheiros Miguel Badra e Ginez Velanga, o edifício foi inaugurado em 1960.
Em 1985, recebeu ouro no Prêmio Internacional de Arquitetura de Caracas.
No jardim do Paço está também a estátua de Bento de Abreu Sampaio Vidal,
observando a avenida que carrega seu nome.
e um livro aberto em sua parte superior.
de comunicação e fraternidade entre os povos.
A avenida abriga ainda a Biblioteca Municipal, o Museu de Paleontologia,
localizado no número 245, onde ficava o antigo Clube de Cinema de Marília,
e a Agência dos Correios.
Construído durante os anos 1950, o prédio dos Correios ocupa um terreno onde anteriormente funcionava
a serraria dos irmãos Casadei.
Cada trecho da avenida guarda uma camada diferente da transformação da cidade.
Comércio, cultura e memória afetiva
A importância da Sampaio Vidal não está apenas em seus prédios públicos ou monumentos.
Durante décadas, ela também foi o principal endereço comercial de Marília.
Lojas, bancos, restaurantes, jornais e outros estabelecimentos fizeram da avenida um dos pontos mais movimentados da cidade.
onde posteriormente funcionaria o Restaurante Giovanni.
No mesmo quarteirão, o jornal Correio de Marília registrou durante décadas acontecimentos importantes da cidade.
A Rádio Clube de Marília, primeira emissora da cidade, funcionava na Avenida Gonçalves Dias,
mas fazia parte da intensa vida cultural do centro.
Entre os profissionais ligados à emissora estava um jovem locutor chamado
Osmar Santos, que anos depois se tornaria um dos nomes mais conhecidos do rádio esportivo brasileiro.
agremiação que em 1947 passaria a se chamar Marília Atlético Clube.
Ali começou parte da história do Tigrão.
O palco dos desfiles que emocionam
Todo 4 de abril, a Sampaio Vidal muda de aparência.
As calçadas ficam cheias. As bandeiras aparecem. Bandas marciais ocupam a avenida.
Escolas, entidades e forças de segurança desfilam enquanto milhares de pessoas acompanham a comemoração.
É o aniversário de Marília sendo celebrado no mesmo espaço onde parte da história da cidade começou.
O percurso tradicional ocupa aproximadamente seis quarteirões da avenida,
entre a região dos Correios e o Paço Municipal.
2025: 96 anos de Marília
Nas comemorações de 2025, mais de duas mil pessoas participaram do desfile,
enquanto multidões acompanhavam a programação pelas calçadas.
A celebração teve ainda a participação da Esquadrilha da Fumaça,
que sobrevoou os céus de Marília.
2026: 97 anos da cidade
No ano seguinte, a programação começou ainda durante a madrugada.
Às 4 horas, o Rosário de Frei Gilson foi transmitido por telão na própria avenida.
Às 8 horas ocorreu o hasteamento das bandeiras no Paço Municipal e, às 9 horas,
teve início o desfile.
A programação contou com a presença dos Fuzileiros Navais
e da Banda do 37º Batalhão de Infantaria de Lins.
A avenida que é Marília
A Sampaio Vidal não é apenas um endereço.
É o lugar onde morou o primeiro prefeito.
Onde nasceu uma instituição financeira que ganharia projeção nacional.
Onde começou parte da história do Marília Atlético Clube.
Onde monumentos preservam a memória de personagens da cidade.
E onde, todos os anos, milhares de pessoas voltam a se reunir para celebrar o aniversário de Marília.
Terra vermelha e primeiros prédios
Origem do Banco Brasileiro de Descontos
Inauguração do Paço Municipal
Comércio, serviços, cultura e celebrações
Quando você caminha pela Avenida Sampaio Vidal, não está apenas atravessando o centro.
Está passando por quase um século de histórias, personagens, transformações e memórias.
Cada prédio guarda uma época.
Cada esquina guarda uma lembrança.
E a Sampaio Vidal continua no centro de tudo.
