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História

Marília: A Capital Nacional do Alimento

A história de como uma cidade do interior de São Paulo se tornou a potência que alimenta o Brasil e exporta para o mundo inteiro

Se você já viveu em Marília, provavelmente conhece aquele cheiro inconfundível de
biscoito assando que toma conta de alguns bairros da cidade no fim da tarde.

Ou aquela sensação de entrar em um supermercado, mesmo longe daqui, olhar para uma prateleira e encontrar um produto que nasceu nas fábricas da nossa cidade.

A bala consumida no Nordeste. O biscoito servido em uma casa no Sul. O chocolate saboreado do outro lado do oceano.
Em muitos casos, tudo isso saiu daqui.

De Marília.

Uma vocação construída ao longo de décadas
A cidade que alimenta o Brasil
A força da indústria alimentícia mariliense começou muito antes das grandes fábricas.
Ela nasceu entre lavouras, ferrovia, pequenas produções familiares e empreendedores
que transformaram crises em oportunidades.

O título de Capital Nacional do Alimento não surgiu por acaso. A indústria alimentícia passou a ocupar um espaço central na economia, na geração de empregos e até na identidade de Marília.

Mas como uma cidade do interior de São Paulo chegou a esse patamar?

A resposta está numa combinação de vocação, infraestrutura, empreendedorismo e trabalho que começou ainda nas primeiras décadas da história do município.

Do café ao biscoito: as raízes da vocação alimentícia

Quando Marília foi fundada oficialmente, em 1929, a economia da cidade girava principalmente em torno do café.

As fazendas da região produziam grãos que seguiam pela ferrovia até o porto de Santos e, de lá, para diferentes partes do mundo.
O café era uma das grandes forças da economia regional, impulsionado pela terra fértil e pela expansão da malha ferroviária.

Mas a dependência de uma única cultura também trazia riscos.

Quando os preços do café enfrentaram períodos de forte queda, produtores e empresários precisaram buscar outros caminhos.
Muitos migraram para o algodão. Outros começaram a investir em pequenas produções de alimentos processados, como
óleos, farinhas e conservas.

O começo da transformação
1934–1935

Surgem em Marília as primeiras fábricas de óleo de amendoim e de algodão,
marcando uma nova etapa na economia da cidade.

Foi esse espírito de adaptação que ajudou a plantar a semente da vocação industrial de Marília.

O café trouxe a ferrovia. A ferrovia trouxe infraestrutura. A infraestrutura abriu espaço para a indústria.

Marilan: o forno à lenha que virou uma gigante

Entre as histórias ligadas à indústria alimentícia de Marília, poucas são tão simbólicas quanto a da Marilan.

Tudo começou em 1956, quando Maximiliano Garla e Iracema Fontana Garla decidiram se mudar para Marília
com um objetivo muito claro: produzir biscoitos.

Maximiliano, nascido em Piratininga em 1922, e Iracema chegaram à cidade trazendo experiência,
disposição para trabalhar e o desejo de construir um negócio próprio.

31 de março de 1957
Nasce a Indústria de Biscoitos Marilan

A primeira fábrica funcionava em um prédio modesto na Rua Liberdade.

O equipamento principal era um forno semelhante aos utilizados em padarias, aquecido à lenha.
A produção ainda era artesanal e incluía biscoitos como Maria, Água e Sal, Coco e Maizena.

O próprio nome da empresa nasceu da relação com a cidade.

“Marilan” foi escolhido por meio de um concurso divulgado em uma rádio local.
A comunidade ajudava, assim, a batizar uma empresa que se tornaria intimamente ligada à identidade de Marília.

Do forno artesanal à produção industrial

O crescimento aconteceu gradualmente.

Com a aquisição de um forno industrial conhecido como Super Vulcão,
a produção chegou a aproximadamente 300 quilos por hora.

No final da década de 1960, a capacidade já ultrapassava 600 quilos por hora.

Na década seguinte, a família Garla decidiu ampliar ainda mais a operação.

1976
novo parque fabril

67 mil m²
complexo industrial

250
funcionários na época

Nos anos 1990, a companhia chegou à marca de 84 mil toneladas de biscoitos produzidos por ano,
com cerca de 1.300 colaboradores diretos.

Maximiliano Garla recebeu o prêmio de Empresário do Ano em 1995 e o título de Cidadão Mariliense em 1997.
Seus três filhos — José Rubis, José Geraldo e José Carlos Garla — também seriam homenageados com o mesmo título pela Câmara Municipal.

Maximiliano faleceu em agosto de 2013, aos 91 anos.

O negócio iniciado por ele e Iracema, porém, continuou crescendo.

Marilan hoje
4.500+
colaboradores

5
fábricas

200+
produtos

50+
países

Atualmente, o Grupo Marilan reúne marcas como Marilan, Casa Suíça, Teens, Lev, Pit Stop, Top Cau e Festtone.

Seus produtos estão presentes em milhões de lares brasileiros e também são exportados para diferentes continentes.

De um forno à lenha em uma pequena fábrica para uma operação que leva produtos de Marília a diferentes partes do mundo.

Essa é a história da Marilan. E também é parte da história de Marília.

Dori: a doceira que adoçou o país

Se a história da Marilan começou com biscoitos, a trajetória da Dori começou dentro de uma casa.

No dia 8 de maio de 1967, Doraci dos Santos Spila fundou uma pequena empresa individual.

A produção era artesanal: pipoca e amendoim preparados manualmente e comercializados com a marca Guri.

Doraci — conhecida por todos como Dori — transformava parte da própria residência em uma pequena produção de confeitos.

De uma cozinha para o Brasil

Uma pequena produção familiar iniciada por Doraci se transformaria,
décadas depois, em uma das maiores fabricantes brasileiras de doces e snacks.

Na década de 1970, Augusto Spila, marido de Doraci e técnico de rádio, deixou o emprego para se dedicar ao empreendimento.
Os filhos do casal também passaram a participar da empresa.

Em 1976, a produção foi transferida para um salão de 500 metros quadrados na Avenida República.

Foi nessa fase que a companhia passou oficialmente a utilizar o nome Dori,
em homenagem à mulher que havia iniciado toda a história.

A mudança de escala

Outro momento decisivo ocorreu em 1988, quando o empresário João Baptista Barion adquiriu 62% da empresa.

Barion já possuía experiência no setor alimentício e iniciou um forte processo de expansão.

Naquele período, a Dori produzia aproximadamente 350 mil quilos por mês e tinha menos de 100 empregados.

Um ano depois, a empresa adquiriu a fábrica de balas e pirulitos Ouro Verde, em Rolândia, no Paraná.

Em 1992, novas filiais comerciais foram abertas em São Paulo e Porto Alegre.

Em 2003, Marília ganhou um Centro de Distribuição de 10 mil metros quadrados,
com capacidade para armazenar até 6,5 milhões de quilos de produtos.

A companhia cresceu e se consolidou com marcas conhecidas como
Dori, Pettiz, Jubes, Gomets, Disqueti, Bolete, Deliket e Yorgurte 100.

Em 2020, a Dori conquistou o primeiro lugar na categoria Grandes Empresas no prêmio
“Lugares Incríveis para Trabalhar”, promovido pelo UOL e pela FIA.

Novo capítulo · 2023
A Dori entra para um grupo global
A Ferrara Candy Company, associada ao Grupo Ferrero nos Estados Unidos,
anunciou um acordo para adquirir a Dori Alimentos.
A empresa nascida na casa de Doraci passava a integrar um dos grandes grupos mundiais do setor de doces.

Bel Chocolates: o amor que virou marca

A história da Bel Chocolates começou com uma homenagem.

Em 1976, Paulo Sérgio Zaparolli Dedemo fundou a empresa e escolheu como nome o apelido de sua esposa, Isabel.

Bel.

Os primeiros chocolates eram produzidos artesanalmente, com receitas caseiras,
em uma operação familiar.

A qualidade dos produtos ajudou a marca a conquistar inicialmente o público local e, depois, novos mercados.

Em 1984, com o aumento da demanda, a Bel transferiu suas instalações para o Jardim Santa Antonieta,
na zona sul de Marília, onde mantém sua fábrica.

A produção foi ampliada e o portfólio passou a reunir ovos de Páscoa, bombons, tabletes, barras e outros produtos.

A marca ultrapassou as fronteiras do município, passou a atender o mercado nacional e também chegou a clientes no exterior.

As gigantes que escolheram Marília

O desenvolvimento de um forte ecossistema alimentício não atraiu apenas empresas nascidas na cidade.

Grandes companhias também identificaram em Marília condições favoráveis para instalar e manter operações industriais.

Nestlé
A companhia mantém produção de biscoitos e bolachas em Marília desde o início dos anos 2000.

Coca-Cola
A cidade também abriga operação industrial ligada a uma das marcas de bebidas mais conhecidas do mundo.

Carino
Empresa mariliense especializada em ingredientes e soluções para a indústria alimentícia,
com atuação nacional e internacional.

A combinação entre grandes indústrias, empresas locais e fornecedores especializados criou uma cadeia produtiva completa.

Ao redor das fábricas cresceram empresas de embalagens, transportadoras, fornecedores de matéria-prima,
laboratórios de qualidade, centros de formação profissional e diversos serviços especializados.

Também se formou uma mão de obra com experiência acumulada por décadas no setor alimentício,
muitas vezes transmitida entre gerações.

Os números que ajudam a explicar essa força

Para entender o tamanho da indústria alimentícia mariliense, é preciso olhar também para os números apresentados pelo setor.

1.000+
indústrias do setor

32 mil t
produção mensal

27 mil+
empregos diretos

5
continentes alcançados

Os produtos fabricados em Marília chegam a todos os estados brasileiros e também atravessam as fronteiras do país.

A Marilan exporta para mais de 50 países. A Dori também possui presença internacional.
A Bel atende mercados fora do Brasil e a Carino comercializa seus produtos para mais de 22 países.

Segundo as estimativas apresentadas pelo setor, Marília responde por aproximadamente
12% da produção nacional de alimentos.

Empresas de grande porte

A Marilan registrou receita líquida de aproximadamente
R$ 1,1 bilhão.

A Dori alcançou cerca de
R$ 940 milhões.

As duas empresas aparecem entre grandes companhias brasileiras em rankings empresariais,
reforçando o peso econômico da indústria alimentícia mariliense.

Uma cidade que se orgulha do que produz

Existe, porém, uma parte dessa história que nenhum número consegue explicar completamente.

É a relação entre as fábricas e as pessoas.

O mariliense cresce convivendo com a indústria de alimentos.

Cresce sentindo o cheiro de biscoito assando. Vendo caminhões carregados deixando os parques industriais.
Encontrando produtos fabricados na cidade em supermercados de diferentes regiões do país.

Muitas famílias têm a própria trajetória entrelaçada com a história dessas empresas.

O avô que trabalhou em uma linha de produção. A mãe que embalava doces.
O pai que dirigia caminhão transportando chocolates.
O filho que hoje trabalha em uma fábrica que já empregava a geração anterior.

A indústria de alimentos não faz parte apenas da economia de Marília. Ela faz parte da memória afetiva da cidade.

Grandes empresas que hoje abastecem o Brasil começaram pequenas:
com um forno, uma cozinha, algumas receitas e a disposição de transformar uma ideia em negócio.

Quando Doraci dos Santos Spila fazia pipoca e amendoim dentro de casa em 1967,
dificilmente poderia imaginar que aquele negócio faria parte, décadas mais tarde, de um grande grupo internacional.

Quando Maximiliano e Iracema Garla acenderam o forno à lenha em 1957,
ainda estavam muito longe de imaginar uma operação capaz de levar biscoitos produzidos em Marília a dezenas de países.

Quando Paulo Sérgio Dedemo escolheu o apelido da esposa Isabel para batizar uma pequena fábrica de chocolates,
estava começando outra história que ultrapassaria as fronteiras da cidade.

São trajetórias diferentes, mas que compartilham algo em comum:
começaram pequenas e cresceram junto com Marília.

De Marília para o mundo

É assim que muitas grandes histórias começam: pequenas, familiares e aparentemente simples.

Um forno. Uma receita. Uma cozinha. Uma oportunidade.
E alguém disposto a trabalhar para transformar tudo aquilo em algo maior.

Marília é isso.
Uma cidade que produz.
Uma cidade que empreende.
Uma cidade que alimenta o Brasil.