Se você é de Marília, não importa se vai ao estádio todo domingo ou se nunca pisou no Abreuzão.
O Marília Atlético Clube faz parte da vida da cidade.
Ele está nas conversas de bar, nas camisas azul-celeste que aparecem pelas ruas em dia de jogo e nas memórias de quem viu o Tigrão protagonizar algumas das páginas mais marcantes do futebol mariliense.
Em 2026, são 84 anos de uma história feita de mudanças, títulos, acessos, grandes jogadores, momentos difíceis e muitos recomeços.
O começo: nasce o Esporte Clube Comercial
A história começa em 12 de abril de 1942, quando o dentista Benedito Alves Delfino fundou o Esporte Clube Comercial.
O primeiro presidente foi o farmacêutico Guido Rossini — avô do zagueiro Márcio Rossini, que décadas depois se tornaria um dos maiores ídolos da história do clube.
A sede ficava na Avenida Sampaio Vidal, 628, e o uniforme era vermelho e branco. Nos primeiros anos, o clube disputou apenas competições amadoras.
O nome Comercial, porém, não criava a identificação popular que o futebol precisava. Cinco anos depois da fundação, o clube tomaria uma decisão definitiva para sua história.
Marília Atlético Clube. O vermelho e branco deram lugar ao
azul-celeste e branco. Nascia o Alviceleste.
A mudança das cores também ajudava a diferenciar o novo clube do rival Noroeste, que jogava de vermelho.
O profissionalismo e os primeiros passos
O profissionalismo chegou em 1953, quando o MAC estreou no Campeonato Paulista da Segunda Divisão, ocupando a vaga deixada pelo São Bento.
Um dos primeiros jogos dessa nova fase aconteceu em 7 de setembro de 1953, no Estádio Bento de Abreu, diante do Rio Claro.
Mas o futebol em Marília vivia tempos difíceis. Sem recursos, o clube se afastou das competições oficiais em 19 de abril de 1954.
O MAC ficaria fora do futebol profissional por longos 15 anos.
O Tigre escolhido pelo povo
Em 7 de julho de 1969, o Marília Atlético Clube renasceu.
Uma assembleia realizada no Grepan oficializou o retorno ao futebol profissional, sob a presidência do vereador Pedro Sola.
Foi nessa nova fase que surgiu também o símbolo que acompanharia definitivamente o clube: o Tigre.
O mascote foi escolhido por meio de um concurso popular. O Alviceleste ganhava uma nova identidade.
Nascia o Tigrão.
“O retorno definitivo foi marcado por um amistoso contra o São Paulo, no Abreuzão, em fevereiro de 1970. O Tigrão estava de volta — e dessa vez seria para sempre.”
A linha do tempo do Tigrão
Fundação do Esporte Clube Comercial
Benedito Alves Delfino funda o clube. Uniforme vermelho e branco. Sede na Avenida Sampaio Vidal, 628.
Nasce o Marília Atlético Clube
Mudança de nome e cores. O azul-celeste e branco substitui o vermelho.
Estreia no futebol profissional
Primeira participação no Campeonato Paulista da Segunda Divisão.
Renascimento — e o Tigre é escolhido
O MAC retorna ao futebol profissional e o mascote é escolhido pelo povo em concurso popular.
Campeão da Série A2
Gol de Ivo Picerni garante a vitória por 1 a 0 sobre o SAAD e o histórico acesso.
Vitória sobre o Santos na Vila Belmiro
Na estreia na Divisão Especial, o MAC vence o Santos por 2 a 1.
Campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior
O Maquinho conquista a Copinha e confirma a força das categorias de base do clube.
Novo título da Série A2
Vitória por 3 a 0 sobre a Francana marca outra grande conquista do Tigrão.
Campeão da Copa Paulista
O MAC conquista pela primeira vez o torneio.
Bicampeão da Copa Paulista
Dois anos depois, o Tigrão volta a levantar o troféu.
84 anos
Na Série A3 do Campeonato Paulista, o clube continua perseguindo novos acessos e novas noites de glória no Abreuzão.
Na elite: o MAC contra os gigantes
A partir de 1975, o Marília passou a disputar a Divisão Especial do Campeonato Paulista — a elite do futebol estadual.
E logo na estreia mostrou que não pretendia apenas participar.
Naquele Paulistão, o MAC terminou na 13ª colocação entre 19 clubes.
O primeiro turno foi ainda mais marcante: sétimo lugar, com sete vitórias, seis empates e apenas cinco derrotas.
São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Santos e outros gigantes passaram a fazer parte do calendário do clube.
Craques que vestiram o azul-celeste
Ao longo das décadas, o MAC teve em seus elencos jogadores e treinadores que deixariam marcas importantes no futebol brasileiro.
Jurandir de Freitas
Zagueiro mariliense campeão do mundo com a Seleção Brasileira na Copa de 1962, no Chile. Estreou pelo MAC em 1972, em vitória por 2 a 1 sobre o então campeão brasileiro Atlético Mineiro.
Serginho Chulapa
Passou pelo MAC em 1973, ainda jovem. Depois se consagraria como ídolo do São Paulo e um dos grandes centroavantes de sua geração.
Márcio Rossini
Neto do primeiro presidente do clube, Guido Rossini, tornou-se um dos grandes nomes revelados pelo MAC. Trabalhou com Pupo Gimenez e posteriormente defendeu Santos e Bangu.
Jorginho Putinati
Revelado pelas categorias de base do Marília, posteriormente ganhou destaque com a camisa do Palmeiras.
Norberto Lopes
Um dos técnicos mais ligados à trajetória do Tigrão: 164 jogos ao longo de nove passagens pelo comando da equipe.
Paulo Autuori
Antes de construir uma carreira de destaque nacional e internacional, Paulo Autuori também passou pelo banco do Marília Atlético Clube.
1979: o Maquinho conquista a Copinha
Uma das páginas mais importantes da história do clube não foi escrita pela equipe principal.
Sob o comando do técnico Walter Zaparolli e com a coordenação de base do lendário Pupo Gimenez, o Maquinho conquistou a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1979.
Era a conquista do principal torneio de categorias de base do país e a confirmação de uma característica que acompanharia o MAC por décadas: a capacidade de revelar jogadores.
Pupo Gimenez: o homem que revelou uma geração
Desde os anos 1970, Pupo Gimenez coordenou as categorias de base do Marília e participou da formação de nomes como
Márcio Rossini, Carlos Alberto Borges, Sérgio Nery, Paulo César Borges e Jorginho Putinati.
A rivalidade com o Noroeste
Não se pode contar a história do MAC sem falar do Noroeste.
A rivalidade entre Marília e Bauru é uma das mais tradicionais do futebol do interior paulista e atravessa gerações de torcedores.
A relação é tão antiga que a adoção do azul-celeste pelo Marília, em 1947, também ajudou a diferenciar a identidade do clube do vermelho utilizado pelo rival.
“Os clássicos entre MAC e Noroeste no Abreuzão são capítulos à parte na história esportiva de Marília. Jogos de alta tensão, estádio lotado e paixão transbordando das arquibancadas.”
2002: outro grande acesso
O início dos anos 2000 abriu outro período de destaque para o Marília.
Em 2002, o MAC conquistou novamente a Série A2 ao vencer a Francana por 3 a 0 na decisão.
Aquele ciclo abriria caminho para um dos períodos de maior projeção nacional do clube.
Entre 2004 e 2007, o Tigrão disputou o Campeonato Brasileiro da Série B e levou o nome de Marília para estádios de diferentes regiões do país.
O Abreuzão: a casa do Tigrão
Se o MAC representa o futebol de Marília, o Estádio Municipal Bento de Abreu Sampaio Vidal é o palco onde boa parte dessa história aconteceu.
O Abreuzão foi inaugurado em 1967 e fica na Avenida Vicente Ferreira.
Com capacidade para aproximadamente 18 mil torcedores, recebeu acessos, clássicos, goleadas, grandes vitórias e algumas das partidas mais lembradas pelo torcedor mariliense.
O estádio leva o nome de Bento de Abreu Sampaio Vidal, personagem diretamente ligado ao desenvolvimento de Marília.
Para o torcedor, porém, o significado é bem mais simples.
É a casa do Tigrão.
De Esporte Clube Comercial a Marília Atlético Clube. Do vermelho e branco ao azul-celeste. Do amadorismo ao profissionalismo. Dos períodos de afastamento aos títulos e acessos.
O MAC já caiu e se levantou tantas vezes que a capacidade de recomeçar acabou fazendo parte de sua identidade.
Azul-celeste é a cor.
Marília é o nome.
Tigrão é a alma.
